Host ou Hostess?




Quando eu estava buscando pelo meu primeiro emprego nos Estados Unidos, eu não sabia exatamente que tipo de trabalho eu poderia ter.

Aliás, eu sabia mais sobre o tipo de emprego que não poderia ter! Na minha mente, já estava resolvido: eu não poderia pegar um trabalho que envolvesse conversar. Teria que ser uma função de mais execução do que conversação.

Eu ainda não me sentia confiante o suficiente para ter um trabalho que exigisse falar inglês. Então, quando comecei a buscar vagas, apliquei para busser.

Busser nada mais é do que limpar as mesas. Pensei comigo:

“Limpar mesas envolve mais execução do que conversação! Pois bem, é isso que eu vou fazer!”


Apliquei para vários restaurantes nessa função e fui chamada para uma entrevista de emprego.

Eu estava super nervosa. Treinei com meu esposo algumas frases em inglês e tentei me preparar o máximo que pude.

No dia da entrevista, o nervosismo tomou conta. Era uma mistura de ansiedade com expectativa. Eu estava feliz pela oportunidade, mas, ao mesmo tempo, me perguntava:

“Será que eles vão gostar de mim? Será que vão me contratar?”

A entrevista foi super tranquila. Meu esposo pôde participar comigo, mas ele não falou uma só palavra para me ajudar. Depois me explicou que queria ter certeza de que os gerentes soubessem qual era o meu nível real de inglês, para avaliarem se seria suficiente para a vaga.

A gerente que me entrevistou era super simpática e paciente. Ela me ouvia com atenção e fazia perguntas específicas — tudo em inglês. Me perguntou onde eu morava, o que fazia nas minhas horas vagas e por que eu tinha escolhido a posição de busser.

Quando ela perguntou por que eu queria essa vaga, expliquei que gostava de limpar e manter as coisas em ordem — e também por causa do meu nível de inglês. Disse que achava que ainda não estava preparada para outras funções.

Ela me respondeu com um sorriso:

“Mas você está se comunicando comigo. Você me entende e responde às minhas perguntas. Eu acho que você poderia ser uma hostess. Você já pensou em ser hostess?”

Fiquei sem palavras. Minha mente estava tentando entender exatamente o que essa função exigia.

Perguntei:

“Hostess? É a pessoa que atende telefone e conversa com os clientes?”

Ela confirmou:

“Sim! Seria excelente para você desenvolver seu inglês — coisa que você não conseguiria fazendo apenas a função de busser.”

Perguntei de volta, curiosa e incrédula:

“Mas… você acha que eu conseguiria ser hostess?”

Ela respondeu animada:

“Claro! Você tem todo o perfil de hostess!”

Logo em seguida, um homem passou por nós. A gerente o chamou e ele se sentou na mesa da entrevista. Ela disse:

“Essa é a Ary. Ela aplicou para ser busser, mas eu estava dizendo que ela tem o perfil de hostess. O que você acha?”

Ele me fez algumas perguntas, me observou com atenção e, depois de alguns minutos, concordou:

“Sim, eu concordo.”

E foi assim que eu consegui meu primeiro trabalho nos Estados Unidos! Saí de lá sem nem saber quanto seria meu salário. Eu estava tão empolgada que só pensei nesses detalhes depois.

Nos dias seguintes, pesquisei tudo sobre o que envolvia ser uma hostess. E uma das primeiras curiosidades que descobri foi sobre os termos host e hostess.

A diferença está apenas no gênero da palavra em inglês:

• Host: forma neutra ou masculina. Pode se referir a um homem ou ser usada de forma geral (sem indicar gênero).

• Hostess: forma feminina, usada especificamente para mulheres.

Na prática, o trabalho é o mesmo: receber os clientes na porta, organizar a lista de espera, levar até a mesa, explicar promoções, entre outras tarefas.

Porém, no geral, a maioria das empresas prefere usar host para todos, por ser mais neutro e moderno.

Então, agora eu era oficialmente uma host!

E foi assim que eu descobri que, mesmo sem me sentir pronta, eu estava mais preparada do que imaginava!

Simplesmente uma Hostess nos Estados Unidos!










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